Trocando em Miúdos e Atrás da Porta – Uma continuação

As músicas que compõem este titulo são da dupla Francis Hime / Chico Buarque.  Ambos os arranjos são de Francis. E é nos arranjos que estas duas canções de amor despedaçado tem, além nas narrativas pungentes do fim de um relacionamento na mensagem de um parceiro para o outro, uma particularidade em comum. Graças às orquestrações de Francis, elas são a continuação uma da outra! Ouça as duas em sequência, começando por Trocando em Miúdos, e preste atenção à parte final. Emende com Atrás da Porta, e preste atenção à introdução.

Trocando em Miúdos

Atrás da Porta

Pois é. No triste solo de flauta no fim de Trocando em Miúdos, a melodia sobe, sobe… e não termina, e a harmonia não se resolve, fica no suspense do amor também não resolvido. Porém, Atrás da Porta se inicia exatamente com a mesma frase, que desta vez termina, desce e se resolve para a entrada da voz de Francis. Os arranjos tem orquestrações diferentes, mas foram concebidos para serem continuação um do outro, e as canções para serem ouvidas assim, emendadas.

Mas é aí que está o surpreendente. Trocando em Miúdos foi gravada por Chico no seu álbum de 1978. E Atrás da Porta  já o fora por Francis, em… 1973! Ou seja, o arranjo da segunda parte do, digamos, medley, é cinco anos anterior ao primeiro. Ele foi composto, portanto, de trás para frente, e só ao fazer o arranjo para o álbum do Chico o Francis teve a idéia de fazer uma primeira parte para a frase da flauta do outro arranjo. Uma pequena piada particular, para mostrar para os amigos? Mas é desses jogos de referências internas que a arte se alimenta. As duas canções ficaram separadas no tempo e no espaço, em discos diferentes, mas com uma ligação mais forte entre elas. Como dois amantes talvez. Pelo menos neste blog, elas tem direito a um final feliz.

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6 comentários em “Trocando em Miúdos e Atrás da Porta – Uma continuação

  1. Legais o texto e as referências! Gostei disso, em particular: “a frase da flauta”. Me fez pensar (recordar, talvez) no quanto cada instrumento ganha vida quando comunica algo. Semelhante aos naipes de um coro, né?
    Todos, na verdade, médiuns do autor da melodia.

  2. Flavio Mina disse:

    ë verdade, que sacada! e quantas destas estão na vida esperando alguém que as interprete e tenha a coragem de dividir, fazendo assim que outros se surpreendam e comecem a caçar estas pérolas na vida.
    Tio Mina

  3. Raquel Mina disse:

    Gostei do texto Sobre o Autor, é a sua cara Túlio!
    Quando eu li, pensei: “É memso o Túlio”.
    Desejo sucesso na iniciativa, a Web precisa mesmo de pessoas utilizando esse recurso para fazer outras pessoas pensarem.

    grande abraço,
    Raquel Mina

  4. tuliovillaca disse:

    Edu, Mina, Raquel: obrigadíssmo pela força. Edu, coloquei o link do seu blog também aí na direita do meu. Mina, valeu também pela divulgação por email, fundamentais estas coisas para um blog bebê como este. Abraços e beijo nos moleques, se é que eles não vão ficar com vergonha de eu mandar beijos…

  5. Conheço as duas músicas há muito tempo,mas como leigo,distraído e ignorante musical que sou,nunca tinha percebido tal continuidade.meu ouvido é “relativo” demais pra perceber isso.

    • Pois eu levei um susto quando percebi, fui escutar de novo, porque não acreditei. Mas isso é só na gravação do Francis para Atrás da Porta, porque a da Elis, com arranjo também do Francis e que foi a que fez sucesso, não tem. Aí fica mais difícil… Abraços.

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