O Evangelho da Canção segundo Wisnik

O IMS – Instituto Moreira Salles foi fundado em 1990 por Walter Moreira Salles, patriarca do extinto Unibanco e pai dos cineastas Walter “Central do Brasil” e João Moreira Salles – este último atualmente preside o Instituto. Agora, com vinte anos de fundado, sua prioridade de investir em projetos de médio e longo prazo e executados por ele próprio começa a dar frutos, muitos frutos.

Um específico: a Rádio Batuta. Sob este nome engraçado se abriga um – ou melhor, vários podcasts, baseados no excelente acervo musical do IMS, mas também em programas como As canções que eles fizeram para mim, em que um músico atual bota para tocar suas influências musicais, entre outros.

E um programa específico, que é o que me fez escrever este post: com o nome contraditório de O fim da canção, José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski, tanto pesquisadores quanto músicos, apresentaram (e apresentam, porque não acabou) decifrações e análises de algumas canções que estão no nosso imaginário coletivo, tanto que achamos que as conhecemos suficientemente: Garota de Ipanema, Coqueiro de Itapuã, A Felicidade, Manhã de Carnaval, várias outras que são desdobramentos destas e dão à música brasileira popular uma coerência interna que implica na formação de um imaginário que é mesmo um projeto de nação.

E não apenas nossa nação: é hilário e ao mesmo tempo revelador assistir a explicação de Wisnik de como é que a eleição de Barack Obama, o primeiro presidente mulato dos EUA, é consequência direta de um sonho realizado… de Vinícius de Moraes!

O nome da série de aulas-show, como eles chamam, é contraditório porque, apesar de todas as teses de que o formato canção estaria esgotado, em fim de linha historicamente etc. (coisas que já discuti aqui superficialmente, e que o Wisnik já debateu bem mais) o que ocorre não tem nenhum sintoma de fim. Pelo contrário, é uma grande celebração em que fica claro justamente que, pela sua capacidade de tanto se reinventar quanto explorar sua própria referência – e ambas as coisas ao mesmo tempo – a canção apresenta uma vitalidade e um vigor surpreendentes.

Algumas destas relações traçadas por eles certamente vão parar aqui, mais cedo ou mais tarde, desdobradas e estendidas, porque a boa análise, como a boa arte, sempre deixa a porta aberta para ser levada adiante. Mas independente disso, recomendo fortissimamente, nesta ordem: O sítio do IMS, a Rádio Batuta, O fim da canção.

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Um comentário em “O Evangelho da Canção segundo Wisnik

  1. […] aulas-show que já comentei e recomendei aqui intituladas O Fim da Canção, na Rádio Batuta do Instituto Moreira Salles, José Miguel […]

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