Dominguinhos, meu filho, cadê você?

O bem humorado artigo-quase-um-libelo abaixo é de Téta Barbosa – jornalista e publicitária moradora do Recife, e foi publicado no Blog do Noblat sob o título CPI do São João. Devo acrescentar a ele apenas o fato de que concordo – e muito. Mas não por medo de uma descaracterização das festas juninas, que já passaram por poucas e boas e estão aí, firmes e fortes. E sim pela sua mercantilização desavergonhada por parte tanto de governos quanto de empresários, que decidem aquilo que as pessoas gostam e tem horror à palavra diversidade – afinal, é mais barato pagar poucos artistas de que todos gostem que muitos com públicos diferentes. E aí o (bom) negócio é fazer todos gostarem dos mesmos, de preferência os mais baratos ou moldáveis às regras de mercado, as mesmas com que querem moldar o público… Assunto longo para outro dia, de que o ótimo texto da Téta puxa um fiapinho.

(Ah, a Téta também tem um blog – de mulherzinha, mas muito bem feito – sobre modismos, modernidades e curiosidades, o Batida Salve Todos).

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Dominguinhos, sucessor do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, não vai participar da programação do São João 2011 de Pernambuco.

Ficou de fora, não foi convidado, não vai tocar nem aparecer.

Para quem não entende de tradições juninas, Dominguinhos fora do São João é o mesmo que o Papai Noel não dar o ar da graça no Natal ou a Mangueira não participar do carnaval do Rio.

– Calma, disseram os prefeitos das cidades pernambucanas, vai ter Banda Calypso, Garota Safada e Fábio Júnior. Pra quê esse estresse?

– Oi?

Bom, então já que queimaram a tradição na fogueira, proponho mudar também o nome da festa. Pode ser festa de São Chimbinha, ou quem sabe festa do Santo Protetor dos Patrocínios.

De São João é que não é. Pelo menos não mais em Pernambuco, berço do forró pé de serra, do xote, xaxado e baião. O coitado do Gonzagão deve estar se revirando no túmulo e pensando: “Eu perguntei a Deus do céu, ai, por que tamanha judiação”.

Do jeito que está, vamos dançar fandango no carnaval e, no lugar de milho, vamos assar acarajé na fogueira de São João.

Se for verdade que quando um povo quer dominar o outro, impõe sua cultura, somos oficialmente um povo dominado. Por todos os outros, inclusive.

As quadrilhas já há muito perderam suas características. Agora são estilizadas, ensaiadas, comercializadas. Ok, a gente foi deixando passar, afinal, aumenta o ibope, os comerciais, os patrocínios.

Mas tirar a música do São João do próprio São João é demais da conta. Assim, a Asa Branca tem toda razão de bater asas do Sertão!

Por esses dias, a prefeitura de Caruaru tentou se redimir com Dominguinhos e convidou o cantor para o São João de 2012.

– Não tá muito cedo, não?, perguntou o cidadão humildemente.

– É que não pode deixar de ter Chiclete com Banana!

Eu, se me perguntarem, sou de antigamente, vintage (na linguagem da moda). Gosto das coisas como manda a tradição. Podem me chamar de antiquada.

É muito pedir que o São João seja, sei lá….São João?

Onde está você? – Dominguinhos

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