A nova-velha cantiga do Chico – um debate

A nova canção de Chico Buarque (e Cristóvão Bastos), Tua Cantiga, está no vértice de uma polêmica. Pululam na internet opiniões sobre a visão implícita de romance – e das mulheres na composição. A produtora Flávia Azevedo escreveu em seu artigo que sua geração não se vê representada na musa desta canção, ao contrário de tantas e tantas vezes ao longo de décadas, e afirmou:
Desta vez, no painel das emoções femininas, Chico apertou um botão controverso. Essa mulher que ele evoca, não sou, não é. Nem a que somos nem a que queremos ser. Essa que precisa ser salva, que sonha com o reino do lar, essa que goza ao ouvir largo mulher e filhos. (…) Não se trata de patrulhamento nem militância tosca. Mas quem controla sentimento, maluco? Chico Buarque sempre se comunicou com a nossa subjetividade. E é a nossa subjetividade que está falando com ele agora. E a real é que esse mundo interno mudou. De repente, pra um monte de mulheres, largo filhos soou tão romântico quanto um arroto no meio do beijo. Uma deselegância, uma sacanagem, uma coisa feia e desnecessária.
E este artigo (que pode ser lido inteiro aqui) e outros movimentaram o debate sobre feminismo, estética e ética, e a atualidade da canção – e da obra de arte – no tempo. A seguir transcrevo partes de um diálogo realizado no perfil do compositor Mauro Aguiar, com participação do jornalista Hugo Sukman, o músico Luís Filipe de Lima (citado pelo Mauro) e um pitaco do próprio co-autor Cristóvão Bastos, entre outros. Desnecessário dizer que o blog não corrobora todas as opiniões e não está preocupado em tirar conclusões definitivas. Mas assim como desqualificar Chico por sua canção é apenas burrice, desqualificar o mal-estar de quem ouviu sua canção pode ser desonesto, e portanto, o debate é necessário. Então ouçamos o pomo da discórdia e o que se diz dele.

Mauro Aguiar: (sobre o argumento de que a canção seria datada e que as mulheres atuais não têm como se identificar com a musa da canção): Em Tua Cantiga o amor é que está datado e o personagem se contradiz. Aquela identificação fica bem difícil.

Sobre a Canção: Eu não sei não. Esta é uma canção de amor genérica, na obra do Chico está longe de ser marcante, embora seja tecnicamente irretocável, como de costume. É quase uma coletânea de clichês do gênero, mas com um tratamento de ourivessaria. É motivo de festa por ser uma canção nova do Chico a esta altura, mas não tanto pela sua qualidade. E confesso, embora concorde que o eu lírico da canção se contradiz e é de propósito, o verso largo mulher e filho, dito de passagem como foi, me incomodou também. No fim, acho que é datada sim, mas isto não tira sua qualidade, e o Chico, que não está preocupado com inovações em sua obra, sabe disso.

Mauro Aguiar: Chico sempre inova. Sempre se preocupa com inovações. Pense em Chico lendo e filtrando a sofrência. Safadão por Chico. O problema é que não dá pra enquadrar a arte em identitarismos.

SC: Entendo que o Chico sempre direciona a antena para os temas e as leituras dele são quase sempre inovadoras. Mas formalmente ele é um mestre de ofício, mais preocupado em perfeccionar que inovar. A grande canção com transgressão formal dele é Construção, de 70, e a última que vi foi o rap-repente de Ode os Ratos, sugerido sutilmente outra vez em Subúrbio. Eu o vejo como um sujeito que constrói cadeiras de madeira maravilhosas, mas não vai fazê-las com outros materiais como acrílico, simplesmente admitindo que não domina estas técnicas.

E sobre os identitarismos, não, não dá pra enquadrar. Mas ao lado da estética fica a ética, e assim como o pega-geral do Safadão tem implicações que vão além da parca qualidade da música dele, o discurso das canções do Chico tem também implicações, para o bem ou para o mal. Não dá para admitir condenações liminares do tipo falou isso, tá errado. Mas carta branca ninguém tem, nem o Chico. Entendo o contraste entre a estrofe do largo mulher e filho e a anterior, em que ele demoniza o companheiro atual da amada, que é claramente uma contradição de cego de paixão. Mas ainda acho que o tema ficou menos desenvolvido do que precisaria, e isto gerou estas leituras negativas. Enfim, só por estar gerando estes debates já é um mérito por si.

Mauro Aguiar (em outra postagem): As chaves para o desentendimento necessário:

Quando teu coração suplicar
Ou quando teu capricho exigir
Largo mulher e filhos
E de joelhos
Vou te seguir

Na nossa casa
Serás rainha
Serás cruel, talvez
Vais fazer manha
Me aperrear
E eu, sempre mais feliz

(Chico Buarque)

Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.

(William Shakespeare)

A grande chave vai aqui, pois pelo tom, pela entonação da última frase musical (afirmativa) e pelo tempo de agora, Chico propõe uma inversão de sentido do soneto shakespeariano. Ele aproveita a citação para dizer que está citando. Ou seja, ele não escreveu mesmo (foi a personagem, ou foi Shakespeare e nem ninguém nunca amou, portanto tudo é ficção, tudo é uma grande mentira, uma casa de espelhos). Reparem que o eu não sou poeta se transforma em Ou estas rimas não escrevi (e realmente não escreveu! Chico brinca com o roubo dentro do roubo! Polissemia, metalinguagem!) Tudo é roubado e no fundo não há esse amor desesperado e nem esse canalha datado. As citações desfazem as citações. Resumindo com Cazuza: O amor na prática é sempre ao contrário.

Borges assinaria.

Para compreender esse jogo, lembrem de Uma Canção Inédita que não era nada inédita, pois havia sido gravada com outra letra (Casa de João de Rosa) do próprio Chico em um projeto de dança com Edu.

Mas teu amante
Sempre serei
Mais do que hoje sou
Ou estas rimas
Não escrevi
Nem ninguém nunca amou…

(Chico Buarque)

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

(William Shakespeare)

…E quando o nosso tempo passar
Quando eu não estiver mais aqui
Lembra-te, minha nega
Desta cantiga
Que fiz pra ti”

(Chico Buarque)

Entretanto por pior que faças, velho Tempo, por maiores que sejas teus malefícios, meu amor viverá sempre jovem nos meus versos.

(William Shakespeare)

Pois bem, trata-se de literatura. E trata-se de canção. Se ficássemos apenas no registro irônico, esse já bastaria para contrariar as críticas das meninas ao suposto machismo embutido na letra. Afinal, Chico usa o personagem para dizer o contrário do que está afirmando. Chico, na gravação do clip, está sorrindo marotamente e não constrangido como quer perceber a colunista. Talvez ria intimamente porque sabe que, através do jogo de identificação ouvinte-cancionista, estará implantando este verdadeiro cavalo de Tróia de significados no coração de quem ouve. É canção simples, reles até, e é alta literatura, e não fica apenas na ironia. Propõe uma leitura do amor em nosso tempo e nas canções popularescas da indústria do disco e do jabá. Não é à toa que nossas bravas colunistas tomaram este caminho equivocado de leitura. Faz parte do jogo da canção a escuta passional, e Chico brinca com isso. Mas a critica soa tão estranha aqui quanto seria uma crítica aos impulsos homicidas de Bentinho contra seu próprio filho. O assunto da canção é o anti-amor. A impossibilidade do amor, ou deste amor romântico, específico que é destilado diariamente pela sofrência radiofônica.
Gente, é uma grande brincadeira e u não deveria estar aqui sendo este grande estraga prazeres de vocês.

Enfim, é Shakespeare filtrado por uma mente borgiana emulando a sofrência num lundu impossível datado de 2017.

Luís Filipe de Lima (citado por Mauro adiante, em resposta a um comentário que afirmava ser a canção um samba ternário como Cravo e Canela, de Milton Nascimento): Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, eu podia estar falando mil maravilhas da letra de Chico Buarque para Tua cantiga, o hit novo do compositor que anda bombando pelas redes sociais. Mas, não. Eu vim aqui só pra falar da melodia de Tua cantiga, composta pelo craque Cristóvão Bastos.

Por mais que a letra de Chico seja primorosa, eloquente, com imagens poéticas bacanérrimas, sem falar nas referências eruditas colocadas de maneira discreta, tipo cereja do sundae, o que me pegou mesmo foi a melodia do Cristóvão. Não ouvi a canção mais do que umas três vezes, e ela grudou impiedosamente na minha cabeça.

Primeiro, a sacada de mestre já está na articulação sincopada em compasso ternário, espécie de lundu em três, um samba-reggae ímpar. Não tentem fazer isso sozinhos em casa. Depois, como muitas melodias campeãs, ela se equilibra muito bem entre a repetição e a diferença. Parece repetitiva, mas só parece. Tem muito veneno ali. Uma jóia.

Mântrica, a melodia de Cristóvão vai serpenteando ao longo de uma métrica bastante regular, com destaque para uma modulação tão inesperada quanto orgânica no final da parte B. Sei que tou falando em musiquês, mas espero que os ouvidos leigos porém sensíveis de quem me lê consigam captar toda essa riqueza que fica, por várias razões, um tanto ofuscada pela letra do Chico.

Pra não falar da harmonização do próprio Cristóvão em seu arranjo, que valoriza mais ainda a melodia e a letra na mesma linha tesouro oculto, sutil e sólida, cheia de maldades subterrâneas. Coisa de quem já pegou a faixa do 8º Dan.

Obrigado, professor. Obrigado, professor. Obrigado, professor.

Cristóvão Bastos: Não é um samba em três. Está muito mais próximo de um lundu, não tem nada a ver com Cravo e canela, levada e melodia com sentido bem diferente.

Socorro Lira: É lindo tudo isso, Mauro. mas, felizmente, as mulheres também já escrevem, daí arriscarem-se em fazer análise do discurso. Eu acho legítimo, acho justo e necessário. Em nada diminui a obra e o criticado. Não querendo ser literal mas sendo, meu pai largou minha mãe… e a mim também. e foi péssimo pra mim. Ex-mulher, tem. Ex- ilha, não. A crítica se aplica a uma realidade pois, afinal, o que faz a literatura senão falar dela, da vida real? Beijo, querido.

Mauro Aguiar: Pois então Chico está usando o personagem justamente para criticar esse fato da vida real. Apenas o faz com uma fina ironia! Sou a favor de qualquer análise de discurso.

Socorro Lira: Se assim fosse seria mais interessante. É um risco apostar na fina ironia. Pelas críticas ao texto que o crítica, as pessoas atacam ferozmente a moça. Talvez seja sutil demais a ponto de confundir e reforçar essa cultura que põe o país no divã. Viva nosso Pasquim virtual! beijo, Mauro.

Hugo Sukman: Mauro, entrevistei Chico para o material de lançamento do disco e, de fato, uma das inspirações foi Shakespeare. E os dois últimos versos são, de fato, “roubados” do bardo. Na verdade é uma nova tradução dos versos, o I never writ (em inglês antigo) virando o essas rimas nunca escrevi, e o nor no man ever loved, o ninguém nunca amou. A música é grandiosa, moderníssima, ainda que inatual, o que para mim é a chave para compreendê-la, infelizmente ainda não posso mostrar o texto que escrevi sobre o disco, mas ele é todo nessa toada de referências inatuais para ser atualíssimo. Mas noto que muitos ouvintes, a julgar por essa primeira música, estão apegados a análises mais imediatas, e buscando se identificar com o autor (ou escrever no lugar dele, ou dizer como ele deve escrever), seja o que isso signifique. Aquela função básica da poesia – ampliar sentidos, retorcer, virar do avesso as palavras – fica prejudicada a meu ver, como na percepção do verso Largo mulher e filhos. E se os ateus resolverem implicar com o Chico: que porra é essa de de joelhos? Aí não tem poesia que resista rs.

SC: Muito maneiras as correlações, Mauro – a segunda me pareceu mais forte que a primeira (o Suckman acaba de confirmar acima), que ficou mais no tom que na citação propriamente. Eu continuo aqui com a impressão de que a ironia ficou um pouco prejudicada por não ter sido muito desenvolvida, e a correlação entre melodia e letra, neste caso, evidenciou pouco esta ironia (ao contrário das Mulheres de Atenas, em que isto fica patente desde logo). No fim das contas, acho positivo que este ponto da canção não tenha passado batido, não tenha sido simplesmente naturalizado como seria há uns anos. Certamente haverá exageros nas críticas, mas, como eu disse antes, acho bom. Abraço.

Hugo Sukman: Mas acho que a chave não é da ironia (opinião minha, não do Chico). É uma cantiga (que cita de Shakespeare a Disney) sobre um amor eterno, que sobrevive a qualquer coisa, cheia de estranhezas na música e na letra (que dialogam com perfeição em suas referências inatuais). Os versos são muito maiores do que seu sentido primeiro, mas isso se percebe numa leitura básica. Não precisa de grandes interpretações.

SC: Hugo, eu também não achei propriamente ironia como a chave, acho-a presente na medida em que o eu lirico ao mesmo tempo se dispõe a proteger sua musa de seu parceiro atual, que ele demoniza, e a abandonar sua parceira atual por ela… é uma contradição tipicamente machista, que é apresentada sem julgamento – e esta é a proposta mesmo, a ironia está na situação, não na linguagem, e este descompasso é que está gerando as críticas. Concordo com você que a leitura da canção é muito mais atemporal (e o uso de um gênero antigo historicamente e ainda por cima modificado para ternário contribui para isto, ao lado do diálogo shakespeariano), mas a canção sempre dialoga com seu tempo também, e neste caso houve um descompasso. Mas certamente as leituras posteriores, quando este ponto estiver pacificado e absorvido, serão mais generosas que as atuais.

Hugo Sukman:  Mas é aí que está meu ponto: a história contada na canção não é necessariamente essa, do casal que está cada um com um novo parceiro. Os versos não são necessariamente literais, o “largo mulher e filhos” o “se seu vigia se alvoroçar” são mais um diálogo com o discurso amoroso do que uma narrativa literal. Por isso a crítica, digamos, ideológica fica tão rasa.

SC: É possível. Por isso acho que talvez o distanciamento no tempo gere esta leitura menos literal. Mas no momento presente ela existirá, e não é necessariamente ruim, talvez até necessária, não tanto pela canção, mas pelos tempos que vivemos. Abraço.

João Nabuco: O Chico quando faz música é um acontecimento. Eu sinceramente sempre achei que o Chico é o nosso Shakespeare pela sua importância na construção de um samba que nos ouve e traduz, levando longe uma tradição que ele herdou do Noel e que vai ecoar por muito tempo, como tem feito a obra do bardo inglês. Acho ótimo que quando ele faz música o interesse pela arte desperta e se acende e volta com tudo nessas discussões acaloradas e desaforadas que envolvem a gente. Essa música do Cristóvão é ótima e a letra é boa tbm, mas acho que não dá pra comparar com Todo Sentimento, da mesma dupla por exemplo, pela beleza e pelo que ela nos revela e traduz, só pra citar uma, sem nem querer mencionar Vitrines ou Choro Bandido e etc. Acho que é essa expectativa que gera esse descontentamento desproporcional, essa música por melhor que seja seu jogo de espelhos e cultas citações e coisa e tal não trouxe nenhuma novidade e nesse tempo de feminismo ardente, e necessário, não trouxe as respostas que o pessoal precisa agora, como ele costumava fazer e por isso ficou célebre. Pior, esbarrou num gauchismo até desnecessário quando se mostra hipócrita e diz que larga a família. E acho também, meu querido Mauro, que se essa mesma música fosse de nossa autoria, minha e sua, infelizmente não despertaria tanto interesse, o que revela o valor da obra por si só, independente do autor.

Mauro Aguiar: Quer dizer: entramos pelo cânone.

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2 comentários em “A nova-velha cantiga do Chico – um debate

  1. Eu odeio Chico Buarque – Como me tornei uma semi celebridade.

    Estou sendo cotado para um reality show de um canal à cabo. Dei entrevista em um talk show de um comediante na madrugada. Fiz comercial de material esportivo de segunda linha. Fui contratado como dj (mesmo sem ser dj) para festas noturnas no interior. Fui jurado em programas de calouros. Cheguei a dar autógrafos, a tirar selfies com fãs. O vídeo que me lançou ao semi estrelato foi o mais visualizado no YouTube no ano. Telejornais faziam matérias sobre o vídeo.
    Minha vida mudou radicalmente. De repente me tornei uma celebridade da segunda divisão. Minha vida pacata e completamente anônima evaporou-se instantaneamente. Passei a ser reconhecido nas ruas, deixei meu emprego de auxiliar de contabilidade em um pequeno escritório no triângulo mineiro.
    Tudo porque em uma pelada de futebol, encerrei a famosa carreira de peladeiro de ninguém mais, ninguém menos do que Francisco Buarque de Holanda! Com um carrinho violento, covarde e vil, rompi os ligamentos dos dois tornozelos do dono do Polytheama! Continue lendo: http://blogodofranciscoaguas.blogspot.com.br/2017/09/eu-odeio-chico-buarque-como-me-tornei.html

  2. Uma simples canção dá pano pra manga.

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