Raul, do esotérico ao exotérico

Que Bruce Springsteen, o grande roqueiro americano, como muitos músicos, tem uma atuação política engajada à esquerda era sabido desde sempre. Quando ele, em sua turneé pela América do Sul, incluiu na Argentina uma canção do repertório de Mercedes Soza e no Chile uma de Víctor Jara, músico assassinado pelo golpe de Pinochet, estas atitudes foram tomadas como gentilezas e respeito pelos lugares onde estava, em vez de simplesmente decorar o nome do país cinco minutos antes de entrar no palco e esquecê-lo logo depois de sair, e também como posicionamentos inequívocos e coerentes com suas críticas ao próprio governo dos EUA em épocas diversas. Porém, nada disso impediu Bruce de surpreender o Brasil com sua escolha para abrir os shows em São Paulo e Rio de Janeiro:

Sociedade Alternativa – de Raul Seixas e Paul Coelho

Grande parte da surpresa se deveu à diferença fundamental entre a figura dos autores de Sociedade Alternativa, Raul Seixas e Paulo Coelho, e os outros autores escolhidos por Bruce (a interessante história da escolha, por sugestão do jornalista Álvaro Pereira Junior, e as alternativas sugeridas, podem ser achadas aqui) . Raul e Paulo, mesmo à época do lançamento da canção, não faziam parte da oposição formal à ditadura brasileira como Mercedez e Vitor eram em seus países. Talvez fosse mesmo equivocado situar Raul no espectro político da esquerda – ou em qualquer outro espectro, e Paulo Coelho menos ainda, especialmente hoje, em que se transferiu para uma literatura que lhe rendeu fama mundial, sendo no entanto bastante rasa no sentido estritamente literário, conforme ele próprio admite. E no entanto, Sociedade Alternativa (e quase toda a obra de Raul) permanece uma canção de imenso alcance político, num âmbito porém muito diverso, talvez mais amplo até do que o próprio Bruce costume ser.

Raul contou em entrevista à revista Bizz, em 1987, o episódio que o levou ao exílio em 1974:

Veio uma ordem de prisão do Exército e me detiveram no Aterro do Flamengo. Me levaram para um lugar que não sei onde era. Imagine a situação: estava nu, com uma carapuça preta. E veio de lá mil barbaridades. Tudo para eu dizer os nomes de quem fazia parte da Sociedade Alternativa, que, segundo eles, era um movimento revolucionário contra o governo. O que não era. Era uma coisa mais espiritual. Preferiria dizer que tinha pacto com o demônio a dizer que tinha parte com a revolução. Então foi isso, me escoltaram até o aeroporto.

Esta negativa radical de Raul a se envolver com a oposição ao regime ditatorial pode, à primeira vista, parecer alienada – para seguir o jargão da época. E no fundo era mesmo, uma vez que Sociedade Alternativa foi composta num contexto totalmente diverso. As influências que levaram Raul e Paulo até este refrão que é como um grito de guerra são bem identificadas, mas mesmo assim extremamente nebulosas. Refiro-me ao guru Aleister Crowley e à sua Lei de Thelema, doutrina descrita por ele em 1904. Aleister é pintado ainda hoje ora como satanista (ele associava o número 666 a si próprio), ora com iluminado incompreendido, e sua filosofia, a partir da sua principal sentença – usada por Raul e Paulo na letra – Faz o que tu queres, tudo será da Lei, contém pontos contraditórios, podendo ser enxergada como algo que promove a elevação humana (com preceitos como todo homem e toda mulher é uma estrela), ou que leva ao individualismo mais feroz (como o que afirma que o homem tem direito de matar todo aquele que for contra seus direitos). A primeira destas frases é gritada por Raul na sua gravação da música. A segunda era comumente recitada por ele quando a cantava em seus shows.

A obscura história da iniciação de Paulo e Raul na Thelema por representantes da doutrina de Crowley tem diversas versões, tanto de amigos comuns da época quanto de jornalistas. Para os interessados, uma fonte razoavelmente neutra da história inteira está aqui. Paulo Coelho, anos depois, escreveu ter renegado sua iniciação por ter entrado em contato com o demônio (ou algo muito próximo disto), se reconciliou com o Catolicismo (já o vi declarar que sua única divergência com ele é crer na reencarnação), e não muito tempo depois sua parceria com Raul terminou. Após anos em relativo ostracismo, ressurgiu como escritor. O interessante é que o tema principal de seu maior sucesso editorial, O Alquimista – a busca de sua lenda pessoal acompanhada da famosa frase quando você quer alguma coisa, todo o universo conspira para que você realize o seu desejo nada mais são que reprocessamentos do lema maior da Thelema renegada por Paulo. Toninho Buda, que conviveu com Paulo entre 1981 e 1986, afirma peremptoriamente que esta frase nem sequer seria um reprocessamento, mas sim de autoria do próprio Crowley. Outro relato jornalístico, este mais parcial porém mais divertido ao demolir Paulo Coelho, está aqui. O próprio, em As Walkirias, escreveu sua versão:

As pessoas queriam saber o que era a sociedade alternativa. ‘Basta prestar atenção na letra da música’, pensou consigo mesmo. Não era uma música – era um mantra de ritual mágico, com as palavras da besta do Apocalipse sendo lidas atrás, em tom baixo. Quem cantasse aquela música estaria invocando as forças das Trevas. E todos cantavam.

E por aí vai. A atribuição de significados ocultos não tem fim, nos mergulha num buraco sem fundo. Fato é que Raul, por mais que tenha recitado os versos de Crowley com convicção, não parece ter levado tão a sério todos os detalhes desta história. Paulo conta que, no fim das contas, a tal Sociedade Alternativa era formada por ele, Raul e suas respectivas mulheres. E Raul, em entrevista posterior, contou que Crowley, baseado em papiros egipcios, teria descoberto uma coisa terrível. E qual era? Não sei, porque era neófito. Só na quarta iniciação eles contavam o segredo (risos).

A relação de inimigos íntimos entre Raul Seixas e Paulo Coelho tem sua melhor descrição no momento espetacular do excelente documentário de Walter Carvalho sobre Raul, O Inicio, O Fim e O Meio (que pode ser assistido aí abaixo): na entrevista com Paulo Coelho na Suíça, em que ele afirma ter apresentado todas as drogas a Raul, e logo após dizer que não se sete culpado por isso (já que Raul viciou-se em cocaína), surge uma mosca (não há moscas em Genebra, segundo Paulo) que passa a atrapalhar a entrevista a ponto de ele se esquecer várias vezes seguidas do que dizia, até perder a paciência e tentar matá-la. E o próprio Paulo reconhece o visitante: é o Raul. Em seguida no filme, a canção Mosca na sopa

Caetano conta no documentário que, ao ser visitado por Paulo e Raul no auge do mergulho místico de ambos, ele ficou obviamente incrédulo, e que a postura de Raul oscilava entre a reafirmação de suas convicções e uma certa adesão à postura irônica de Caetano, que então se tornava auto-ironia… No fundo, é bem possível que Raul, mesmo quando conclamava os mais cruéis postulados de Aleister Crowley, acreditasse neles não em si mesmos, mas como expressões de um princípio mais amplo que ele percebia instintivamente. Postura que os mestres da seita que os iniciaram, ao serem entrevistados, deixam clara ao relatar a indisciplina de Raul, incapaz de obedecer à risca todo o amontoado de rituais e símbolos esotéricos a que era submetido. Afinal, antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu, cantaria ele mais tarde em Todo mundo explica.

Certo é que (e agora seguimos os conselho do alter-ego de Paulo em As Walkírias e prestamos atenção à letra, mas não só a ela), mesmo sem este calhamaço de conceitos antecipados (pré-conceitos) para soterrá-la, a força impressionante do refrão de um único verso é suficiente para sustentar e justificar toda a canção, com sua levada marcial, induzindo a uma ordem unida que, afinal, é o grande objetivo de todo refrão – o mínimo de elementos conseguindo o máximo de resultado. O tom menor inicial se desdobra para a relativa maior na estrofe seguinte, e aí está um segredo da música: a ordem unida, junto com a mudança de tom, se escancara também em multiplicidade.

Se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou esperar Papai Noel
Ou discutir Carlos Gardel
Então vá!

A lista propositalmente aleatória e absurda da única outra estrofe faz contraponto perfeito com a primeira, e tira dela toda aparência autoritária, mística, sinistra. A começar pelo primeiro verso, anti-individualista, ao incluir o outro no desejo, iniciando-se pela condicional: nada se impõe. A palavra de ordem que traduz o refrão é tolerância com a diferença, convivência, lado a lado com a liberdade. Ouvido na sequência desta estrofe, o verso final, lei de Thelema em estado literal, tem o sentido da Lei bem distante de algo que permita o assassinato, por exemplo. Embora Paulo, tido como o autor da letra (na verdade Raul também costumava participar de sua elaboração) fosse um discípulo atento de Crowley à época, a direção final da canção é claramente de Raul, uma direção que não parece tão preocupada com iniciações esotéricas e nem com a condução de multidões inconscientes, fazendo-os repetir um refrão com significados ocultos. Pelo contrário, é um chamado para abertura de consciência. Sim, Raul clama pela Lei do Forte já no fade out, associa Crowley ao número 666. Mas não são estes clamores que direcionam a canção. A rigor, estes clamores não são a canção. Bruce Springsteen percebeu isto perfeitamente.

Mas mesmo o contexto político, que poderia ser então o decisivo para a interpretação de Sociedade Alternativa, foi negado por Raul com decisão tamanha que quase lhe custou a integridade física. Raul, torturado, recusou-se a admitir que sua música poderia ser pautada pelo combate ao regime ditatorial brasileiro. E não era mesmo. O fato de ela se opor decisivamente a qualquer autoritarismo – e muitas outras servem de exemplo, a começar pela genial Ouro de Tolo – é apenas uma consequência lógica de um alcance muito maior. Sociedade Alternativa e outras não falam de representação democrática, não falam de oposição política. Falam simplesmente, com a estética direta que só o rock pode fornecer, de governar a própria vida e conviver com a vida alheia. Ideias tão simples e seguramente mais revolucionárias do que praticamente quaisquer outras, em quaisquer contextos.

Sociedade Alternativa tomou um caminho inesperado. Criada num contexto muito específico, dentro de ditames, conceitos e preceitos complicadíssimos como costumam ser as seitas iniciáticas, ela não tardou em se descolar destas amarras. Foi por si só se distanciando das interpretações exegéticas (que entretanto ainda persistem) e assumindo um caráter político libertador muito mais amplo do que o pensado inicialmente, e de certa forma mais incisivo, por ser capaz de atingir um público que não tinha ideia da Thelema e não fazia questão nenhuma de fazer, e fazer uma pregação libertária muito mais eficaz e com muito mais desdobramentos, entre humanistas, sociais e outros, do que qualquer seita seria capaz de conseguir. Se Raul tinha consciência absoluta deste processo ao compôr? Talvez não. Mas mantenho e impressão, a cada vez que a ouço novamente que, no fim, era isso mesmo que ele queria. E no início e no meio também.

O Inicio, O Fim e O Meio

Rock’n Roll, Rock Errou, Rock’n Raul

Polêmicas e desafios entre compositores se resolvem no ringue da canção. Quando esta regra é seguida, quem lucra é o público – que o digam Noel Rosa e Wilson Batista, que travaram a famosa disputa sobre as qualidades do bairro de Vila Isabel, gerando nada menos que nove sambas primorosos. Lobão e Caetano Veloso vem travando há anos um debate público que se desenvolve em alfinetadas, ironias, críticas e elogios mútuos, em entrevistas, declarações, e canções. O material todo, desde a sua origem e com atualizações recentes, pode ser encontrado aqui, com interpretações diferentes das minhas. Tratarei aqui basicamente das canções, que são o assunto do blog, o miolo do assunto, e, no fundo, o que fica.

E a origem da disputa nem está em nenhum dos dois, mas em Raul Seixas, que, baiano, sempre teve queixas dos tropicalistas. Em seu último álbum, Panela do Diabo, que foi lançado logo após sua morte, Raul fez uma de suas muitas canções em que passa sua trajetória em revista, ao mesmo tempo que consegue a proeza de fazer uma profissão de fé crítica no rock, uma contradição que não impede que a música tenha a naturalidade e o vigor que o próprio Raul, já doente na época, não tinha mais.

Rock’n roll – Raul Seixas e Marcelo Nova (letra aqui)

A letra de Rock’n roll é simples e direta, como Raul gostava. Destila mágoa contra a Bosta Nova e a inteligentsia universitária que defendia tradições e reprovava a imitação de Little Richard feita por ele. E, ao mesmo tempo que declara amor ao rock, tanto reconhece o mal feito a ele colocando-o em propaganda, fundo de comercial, quanto põe lado a lado Elvis Presley e Genival Lacerda, numa sacada genial. O som é puro rock dos anos 50, mas o próprio Raul já fizera Let me Sing, em que o forró de Genival irrompe no meio da música para dividir a cena em pé de igualdade com o rock. Uma declaração de amor, sim, com toda a lucidez que o amor pode trazer.

Em 2000, no álbum Noites do Norte, Caetano gravou…

Rock’n Raul – (letra aqui)

Rock’n Raul é ao mesmo tempo uma resposta e um comentário a Rock’n roll. Caetano já ia entrando na onda que o levou a gravar os álbuns e Zii e Zie, e Rock’n Raul soa como uma preparação teórica para o mergulho. (Aliás, excelente texto analisando este caminho aqui). Caetano não necessariamente contradiz Raul. Ao contrário, já de saída se iguala a ele ao confessar que em algum momento manifestou publicamente uma vontade fela-da-puta de ser americano. Vontade que considerou necessária num determinado momento que, fica óbvio, é o Tropicalismo, contraposição à passeata contra a guitarra elétrica e à Bossa Nova que realmente ia se estagnando (e aí Caetano compôs Saudosismo, que na gravação de Gal Costa termina com a frase-símbolo chega de saudade com recheio de guitarras furiosas, avisando que o tempo mudou). Caetano também ironiza a inteligentsia baiana que, em boa parte, gerou ele mesmo: nada de axé, Dodô e Curuzu, a verdadeira Bahia é o Rio Grande do Sul (celeiro do rock nacional).

Neste momento, Lobão entrou na polêmica. Ou melhor, a polêmica entre Lobão e Caetano é antiga. Ele entrou no assunto, ou se considerou chamado a ele pelo verso lobo bolo no meio de Rock’n Raul – mescla de referência pejorativa a um clássico da Bossa Nova e a ele próprio (ou seja, Caetano de certa forma atirava para os dois lados). Caetano mais tarde afirmou em sua coluna no jornal que a palavra bolo se referia à confusão (quase nunca boba ou desinteressante) que Lobão causa. Tarde demais.

Para o Mano Caetano – Lobão (letra aqui) – o vídeo começa com um trecho de entrevista, que não deixa de ser relacionado.

Lobão responde Rock’n Raul ponto por ponto crivando citações do próprio Caetano e da Bossa Nova, como quem usa a palavra do interlocutor contra ele. Chega ao requinte de mandar saudações de Lupicínio Rodrigues, autor gaúcho de sambas dor-de cotovelo, em resposta à referência de Caetano ao rock do Rio Grande do Sul. Com uma pegada ainda mais roqueira, numa escalada de peso de guitarra que acompanha o acirramento dos ânimos, reclama do trocadilho lobo bolo considerando-o depreciativo, e reage acusando Caetano de leniência com a figura retrógada de Antônio Carlos Magalhães, ex-governador baiano, no que seria uma contradição no seu discurso – acusação que Caetano rechaçou prontamente.

Mas o fundamental no torpedo de Lobão não são tanto as picuinhas com Caetano, mas talvez o que ele retoma e desenvolve de Raul Seixas. Se este atacara a tal inteligentsia baiana e Caetano já se diferenciara dela em parte em Rock’n Raul, Lobão traça a separação com mais precisão, nomeando um monte de zé ­mané que sob minha égide (de Caetano, cujo discurso Lobão assume ironicamente) se transformam em gênios sem quê nem porquê. O que significa, aí sim, acusar Caetano de leniência com esta turma.

E, se Raul traçara o paralelo entre Elvis e Genival Lacerda, Lobão não faz por menos, e coloca Raul e Jackson do Pandeiro lado a lado. E tem o seu próprio lance genial ao afirmar que a tropicália será sempre o nosso Sargent Pepper pós-baiano, pegando o bastão do próprio Caetano de Saudosismo e colocando dialeticamente a Bossa Nova (Bosta Nova do Raul) como coisa de americano, em oposição ao rock brasileiro! E no lugar do chega de saudade suave de Vinícius ou gritado de Gal Costa, Lobão grita chega de verdade, viva alguns enganos, preparando o terreno para a autocitação chave na polêmica: o rock errou.

A resposta de Lobão é quase um tratado, cheia de arestas e sutilezas. Termina com uma declaração de amor em formato bossanovístico (Lobão mais tarde em entrevista especificou tratar-se uma relação de ódio/amor, como se já não estivesse claro). Era de se esperar a réplica de Caetano, que veio recentemente:

Lobão tem razão – Caetano (letra aqui)

Lobão tem razão não é um rock. É um samba, mas não um samba tradicional, e sua levada já é em si uma sinalização e uma resposta a Lobão, mais do que apenas uma contemporização ou um desanuviar da tensão crescente nas canções anteriores. Assim como Incompatibilidade de Gênios, de João Bosco e Aldir Blanc, que Caetano incluiu no repertório da banda, Lobão tem razão tem uma batida reduzida de samba que se resume ao essencial e que, de tão elementar, achega-se ao rock por uma via torta, meio troncho, como disse Lobão.

E na letra, Caetano diz: o rock acertou quando você tocou com sua banda e tamborim na escola de samba. Em sua coluna no jornal, afirmou depois:

Para um velho como eu, não deixa de ser emocionante ver aonde o rock chegou. (…) Que, por sua vez, nasceu como um fenômeno comercial e de baixíssima reputação no meio dos anos 50.

Dizendo isso, Caetano se aproxima novamente de Raul. Ao mesmo tempo que promove o encontro entre a turma da tradição e o do rock em seu próprio trabalho, mas em sentido oposto do de Lobão: ele vindo do Oxalá, oxum dendê oxossi de não sei o quê e chegando ao rock; e Lobão partindo do rock para chegar ao samba. O confronto é natural, já que os pontos de vista são opostos, embora ambos no fundo percebam perfeitamente o que tem em comum: trafegam em sentidos opostos, mas trilham – ou passam – pelo mesmo caminho de fazer rock no Brasil, rock do Brasil – caminho aberto e calçado, ente outros, por Raul Seixas, brasileiro, roqueiro, baiano, que os une, separa e une novamente.